terça-feira, 30 de outubro de 2012

Greve das Universidades Federais

A greve organizada pelo Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) foi deflagrada no dia 17 de maio e chegou a ter a adesão de 57 das 59 universidades federais do país. Na qual, duas não aderiram às paralisações – as federais do Rio Grande do Norte (UFRN) e de Itajubá (Unifei). Até a semana perto de completar quatro meses, ainda contava com a adesão de 13 instituições, segundo o Ministério da Educação, superando todas as quatro maiores greves já registradas na instituição pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua). De acordo com dados, as quatro maiores paralisações aconteceram nos anos de 1991, 1998, 2001 e 2005. Durante o período de greve apenas 1,5% das atividades acadêmicas estavam sendo realizadas no campus, estudantes de projetos e pós-graduação de algumas áreas são os que frequentam a universidade nesse período de incertezas. Segundo cálculos feitos pela Pró-Reitoria de Ensino e Graduação (Proeg), só na UFAM 700 alunos deixaram de colar grau no primeiro semestre um dos grandes prejuízos que a greve causou.
Entre as reinvindicações dos docentes está:
 - A destinação de 10% do PIB e 50% dos recursos do Fundo Social do Pré-Sal exclusivamente para a educação, ciência, tecnologia e inovação.

- Expansão qualificada do sistema público de educação superior através da interiorização das universidades públicas que já existem e criação de novas em regiões estratégicas para o desenvolvimento nacional e regional, com especial atenção aos cursos noturnos.

-Que as Políticas Públicas para Educação, respeitem as questões regionais para o investimento, principalmente numa região como nossa, é preciso reconhecer o Custo Amazônico.

- Implantação de um plano emergencial para conclusão das obras de infraestrutura que estão atrasadas na universidade, como o Centro de Convivência e o RU do Setor Norte no Campus de Manaus e nos demais polos, como Parintins: a Quadra de Educação Física e a Fazenda Experimental. 

- Valorização dos Professores, Servidores e Técnicos, com o Plano de Cargos e Carreiras que atendam os anseios das Classes.

- Contratação de mais professores e servidores técnico-administrativos para atender a demanda de cada polo da UFAM, via concurso público.

- Paridade nos conselhos superiores, implementação do Orçamento Universitário participativo.

 - A triplicação das verbas que o governo, por meio do Plano Nacional da Assistência Estudantil- PNAES destina à assistência estudantil.

 - Construção do R.U Setor Sul e nos Polos do Interior, com Cozinha própria.

-Disponibilização de Refeições em todos os Turnos, garantindo a oferta no horário noturno.

- Construção do Novo Prédio e Investimento nas Bibliotecas universitárias, com ampliação de acervo, da capacidade, do horário de atendimento e da viabilização de novas técnicas de acesso à informação, capital e interior.

- Investimento na Reforma e na Modernização do Hospital Universitário

- Melhoria de Sinal de Rede de Internet e de Comunicação Telefônica

- Laboratórios de Informática em todas as Unidades, Capital e Interior com disponibilidade de Servidor para garantir atendimento em todos os Turnos.

- Fazendas Experimentais bem equipadas e com a garantia dos mecanismos que garantam as aulas de campo, como transporte e diárias.

- A urgente aquisição de Embarcações que garantam a locomoção nos polos, onde este é o principal meio de locomoção.

- Casa do Estudante– Construção no Campus Manaus e Polos do Interior, com cozinha, lavanderias e ampliação de vagas.

- Construção da Creche Universitária, pois está mais do que na hora, da universidade compreender seu papel social e assistência estudantil no sentido mais amplo,

-Incentivo à pesquisa e extensão, ampliação de bolsas e do valor disponibilizado.

A greve é um direito constitucional assegurado a qualquer categoria de trabalhadores, ela é um instrumento de importância num regime democrático quando utilizada corretamente. A greve deflagrada pelos docentes de todo o país apesar de ter reivindicações consistentes e de importância para o avanço do ensino superior no Brasil acabou por colocar a sociedade contra ela quando está passou de uma demonstração legal da democracia para um radicalismo sindical, sim radicalismo sindical, pois acabou por transgredir regras de bom senso quando deixaram hospitais de todo o país abandonados, alunos sem aula além da perda de intercâmbio por alguns, jogando para a sociedade seus descontentamentos salariais, fazendo pressão sobre o governo a fim de fazer este ceder a todas as suas vontades, ora governos do mundo inteiro tem ao menos um plano de orçamento anual que deve ser planejado e obedecido, é um instrumento de controle de gastos que por mais verdadeiras e legais sejam as reivindicações dos professores não podem ser modificados de uma hora para outra, pois se ceder para uma área outra com certeza sofrerá as consequências então nos perguntamos é melhor termos dinheiro na educação e faltar para a saúde, ou, termos os dois equilibrados? Você com certeza dirá que o melhor é ter os dois em equilíbrio.

O que estamos discutindo não é a greve em si, pois está tem base constitucional, o que queremos aqui é salientar que a greve apenas é vantajosa quanto preceitos básicos são preenchidos como o diálogo correto com as autoridades levando em conta todas as barreiras governamentais e principalmente quando direitos sociais são respeitados.

domingo, 28 de outubro de 2012

Durante a apresentação do artigo Brasil no MERCOSUL um tema surgiu durante as discussões em sala: o inegável aumento da influência política, econômica e social brasileira na América do Sul que vem sendo conhecido como "Imperialismo Brasileiro", aproveitando para aprofundarmos o assunto, o texto abaixo de Tom Lima do site livrodomundo.com aborda com clareza e simplicidade essa nova característica da política externa brasileira.


País delimita seu “quintal”

2 de setembro de 2011
Por Tom Lima
Cataratas do Iguaçu, vistas do Brasil: ricos recursos naturais. Imagem: Free 2 use it.

O Brasil dá sinais claros de que começa a delimitar seu próprio “quintal”, a América do Sul. Inúmeras evidências, tanto políticas, econômicas, culturais e mesmo militares, podem ser vistas. Segue o caminho de outros países que se consolidaram como potências imperialistas.
Virou anedota a expansão da influência norte-americana sobre todo o continente, de Cape Columbia, ponto mais extremo das Américas, ao norte do Canadá, ao Cabo de Hornos, ponto mais extremo, ao sul da América do Sul. Estava no Destino Manifesto do grande país do Norte.

Particularmente, diz-se, sem maiores constrangimentos, que a América Latina é o quintal dos Estados Unidos. Agora, o Brasil está, claramente, delimitando seu destino: a América do Sul – e, quem sabe, os demais países latinos-americanos do Caribe e América Central.

Os vizinhos podem estrebuchar e acusar os brasileiros de pretensões imperialistas, como todos os americanos, exceto, talvez, o Canadá, se referiram ao avanço estadunidense no passado. Contudo, a expansão contemporânea brasileira sobre a região vizinha é inevitável e eles terão que aprender a conviver com ela, para o bem de todos.

Gigante por si mesmo

Com um tamanho colossal, tão grande que seu contorno segue o próprio desenho geográfico da América do Sul, espremendo os demais países da região em uma estreita faixa de terras que vai dos Andes até o Pacífico, a oeste, e o Caribe ao norte, o Brasil tem recursos naturais incalculáveis, vastas volumes de petróleo e água potável, e pastos e terras agricultáveis a perder de vista.

Além disso, tem um mercado interno forte e uma economia que é mais que o dobro de todas as demais economias da região. De fato, a soma do PIB do resto da América do Sul não chega à metade do PIB do Brasil, que avança mesmo sobre economias de países do mundo desenvolvido.

Ranking da CIA

Segundo ranking da CIA (Central de Inteligência dos Estados Unidos, na sigla em inglês), atualizado até janeiro de 2011, na América do Norte, o Brasil já deixou para trás o Canadá, o grande parceiro comercial da América, e o sofrível México, parceiro norte-americano do NAFTA. Na verdade, só perde, entre todos os países das três Américas, para a gigantesca economia dos EUA.

Na Europa, desbancou, sucessivamente, a Espanha, a Itália e a poderosa França, devendo ultrapassar já-já, ou já ter ultrapassado, o Reino Unido.

O Brasil não perde de vista a África, onde deverá enfrentar a incômoda ostentação chinesa. Contudo, é na América do Sul onde o Brasil vai buscar – e vai consolidar – mercado imediato para sua pujante economia. Dezenas de empresas multinacionais brasileiras já estabeleceram bases avançadas em toda a região e mais seguirão o caminho, sempre que o próprio mercado do País ficar pequeno para elas.

Para consolidar seu avanço, deve promover a cooperação e buscar o desenvolvimento dos povos vizinhos, ajudando a erguer a infraestrutura desses países que, também, servirá aos desígnios do País. E o Brasil já tem em andamentos vários projetos rodoviários e ferroviários para interligar a malha brasileira à dos países vizinhos.

Setor energético

E agora, sob justificativa de aliviar a necessidade premente de energia elétrica na América do Sul, mas descaradamente para alimentar suas indústrias e os lares brasileiros, o País começa a estudar a construção de novas usinas hidroelétricas não só em seu próprio território, mas na melhor tradição imperialista – em território alheio.

De fato, os estudos em andamento preveem a construção de oito dessas usinas em nada menos que sete países sul-americanos. A meta é gerar 12 mil MW. Sem dúvida, é um projeto grandioso, considerando que Itaipu, que por décadas  foi a maior do mundo e, agora, é a segunda, gera 14 mil MW.

País não retrocederá

A despeito dos imensos problemas que o Brasil ainda enfrenta – e tem que enfrentar e solucionar – em seu próprio território, como os da educação e da infraestrutura, o País vai, sim, avançar sobre os vizinhos e consolidar sua própria zona de influência, os vizinhos queiram ou não.
É o que deixa claro a história de todos os países do mundo que chegaram lá. Pessoalmente, não acredito que o País retrocederá. Fomos longe demais para ficar no caminho. Posso notar como o Brasil se verga sob a importância de sua própria ascensão para combater e eliminar a corrupção, e fazer as reformas políticas e econômicas que ainda devem ser feitas.
Nós, brasileiros, entramos em um alvissareiro ciclo vicioso do qual não temos como sair. Ele nos levará, sem dúvida, a dias cada vez melhores.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

PALHA ITALIANA E SUA DEMANDA

História do produto

A Palha Italiana é um doce feito de forma artesanal com recheio cremoso de brigadeiro, biscoito de maisena triturado e chocolate meio amargo. Tem origem controversa, pois diferente do que é imaginada sua origem não é nem portuguesa nem italiana, mas sim brasileira.
É um doce genuinamente brasileiro e sua provável origem está no sul do país, onde nasceu o doce negrinho mais tarde renomado por brigadeiro, doce que assim como a palha é feito basicamente de leite condensado, manteiga e chocolate. A palha, diferente do brigadeiro, sofreu influência da culinária portuguesa e italiana por uma questão histórica, devido aos imigrantes italianos e portugueses que para o sul do Brasil vieram.
A origem do nome “palha” acredita-se ter recebido influencia do doce Salaminho de chocolate, que é um doce português o qual em sua receita além do biscoito Maria temos amêndoas sem pele, ou seja, sem palha. No processo de preparação do doce, quando a amêndoa é torrada e friccionada solta a sua palha, marcando assim o nome do doce o qual influenciou. Acredita-se também que a parte “italiana” do nome é devido à comunidade italiana que vive no sul.

Após pesquisas, podemos concluir que a época de sua criação é desconhecida.




Análise de mercado

A concorrência no mercado do doce Palha Italiana é pequena, isto ocorre porque é pouco expressivo o número de empresas que adotam o doce como seu principal produto de venda e mesmo as empresas que o adotam tem como perfil geral serem de médio e pequeno porte, geralmente de perfil familiar. O fato de existirem poucas empresas nesse mercado decorre do doce servir de apenas parte integrante de Buffet de festas e casamentos sendo este seguimento o maior produtor e revendedor do produto no mercado. (Dayana Eva, 2012)


Dinâmica em sala

O objetivo da dinâmica realizada em sala de aula refere-se à análise da demanda de acordo com a variação do preço, com os aumentos e diminuições no valor do produto conseguimos montar a curva da demanda demarcando assim a área de maior incidência de demanda.
No inicio da dinâmica adotamos como preço inicial do produto R$ 2,00, com este preço recebemos uma demanda equivalente á 12 pessoas, com a diminuição do preço do produto de R$ 2,00 para R$ 1,50 a demanda saltou de 12 para 16 e assim aconteceu sucessivamente com a seguinte diminuição de preços: R$ 1,50 para R$ 1,00 demanda de 16 para 32; como dispúnhamos de apenas 13 (treze) palhas italianas a demanda acabou tornado-se maior que a oferta fazendo com que o preço do produto aumentasse, saltando de R$ 1,00 para R$ 1,50 fazendo com que demanda diminuísse de 32 para 28; mesmo com a diminuição da demanda está ainda continuava maior que a oferta ocorrendo novamente o aumento do preço do produto de R$ 1,50 para R$ 2,00, atingindo assim a igualdade entre oferta e demanda 13=13, ocorrendo assim a venda total do produto.

Na tabela 1, podemos observar melhor as variações de preço e demanda.

Tempo
Preço
Quantidade
A
R$ 2,00
12
B
R$ 1,50  
16
C
R$ 1,00  
32
D
R$ 1,50  
28
E
R$ 2,00
13
Tabela 1 - Escala da Demanda da Palha Italiana

Através dos dados da tabela acima podemos montar a curva da demanda.

Gráfico 1 - Curva de Demanda da Palha Italiana


Abaixo algumas fotos da dinâmica realizada 

Patrícia e Edla apresentando o produto, componentes do grupo da dinâmica e do blog

Os consumidores pedindo o produto



MUITO OBRIGADA!







terça-feira, 26 de junho de 2012

A classe média brasileira é mundial

Por Marcelo Côrtes Neri

A mediana da renda mundial pode ser pensada como uma variante econômica da linha do Equador. Ela é a linha que por definição divide a população mundial em duas partes iguais com rendas diferentes, enquanto a do Equador divide o mundo em duas áreas geográficas de tamanhos iguais. O gráfico compara a renda mundial com a distribuição de renda dentro de um grupo de países selecionados. Ele foi gerado a partir dos dados do trabalho seminal de Branko Milovic do Banco Mundial.

Os mais pobres dos pobres americanos têm 60% da população mundial mais pobre que eles. Ou seja, nenhum percentil da distribuição americana sequer toca a mediana mundial. No extremo oposto, 95% dos indianos se situam abaixo da mediana mundial.
As linhas permitem comparar pessoas na mesma posição relativa em seus respectivos países. Enxergamos com clareza que os EUA são mais ricos que a Rússia que é mais rica que a China que por sua vez supera a Índia.

A renda per capita média brasileira também é similar à mundial, ambas ajustadas por diferenças de custo de vida

Mas onde está o Brasil? Os brasileiros estão em todas as partes. Nossos mais pobres dos pobres são tão pobres quanto os intocáveis indianos, e os nossos mais ricos não ficam muito atrás dos americanos abastados.
 A distribuição de renda brasileira é próxima de uma linha diagonal imaginária com inclinação (tangente) unitária, ou seja caminha quase de mãos dadas com a distribuição mundial de renda. O Brasil é maquete do mundo. Já havíamos mostrado aqui que a desigualdade brasileira medida pelo índice de Gini, embora seja a 12ª mais alta do mundo, está muito próxima do Gini entre países ponderados pela população.

A renda per capita média brasileira também é similar à mundial, ambas ajustadas por diferenças de custo de vida. Isso apesar de quase 80% da população mundial viver em países mais pobres do que o Brasil. O Brasil não é um país pobre mas tem muitos pobres em função da alta desigualdade. A linha oficial de pobreza extrema é de US$ 1,25 dia, com 8,5% da população abaixo dela. Já a renda média americana, mesmo após a crise de 2008, era de US$ 100 por dia por americano. Qualquer povo fora da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) será considerado pobre usando a métrica do
imaginário da classe média "Made in USA": dois carros, dois cachorros e dois filhos.


Por que importar para o Brasil definições prontas de classe média de países ricos do hemisfério norte? Devemos usar a nossa própria realidade para medi-la. Há várias alternativas com a vantagem de, ao mergulharmos no Brasil, encontrarmos o mundo. Nosso mais recente estudo revela que o acesso médio à internet em casa do brasileiro é idêntico ao observado na aldeia global (www.fgv.br/cps/telefonica).

Uma possibilidade seria dividir em três partes arbitrárias. Na nossa metáfora geográfica, a classe média poderia estar circunscrita entre dois trópicos. O método usado pela FGV divide a sociedade em três grupos, escolhendo linhas de corte de forma que os três grupos fossem os mais homogêneos dentro de si e os mais diferentes dos demais grupos, como na medida de polarização EGR. Depois mantemos constante o valor das linhas para obter as variações absolutas das classes (vide www.fgv.br/cps/ ncm2014). Por exemplo, os 40 milhões que entraram na classe média entre 2003 e 2011.

Nossa estratégia consegue explicar 33% mais da desigualdade brasileira do que a que usa três partes com populações iniciais iguais. O resultado foi que a nossa classe média brasileira vivia aproximadamente entre mediana e a linha que divide os 10% com mais renda, tudo dentro do hemisfério rico global.

Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas e professor da EPGE/FGV. Autor de a Nova Classe Média (Editora Saraiva), Microcrédito: o Mistério Nordestino e o Grameen Brasileiro (FGV) e Cobertura Previdenciária: Diagnósticos e Propostas (MPS). Escreve mensalmente às terças no site Valor Econômico, este que publicou está materia em 20/05/2012. mcneri@fgv.br e www.fgv.br/cps


/classe-media-brasileira-e-mundial#ixzz1ywilisva

domingo, 20 de maio de 2012

1 Caminho, E quantas possibilidades ?

       A presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil só alcançará a posição de sexta potência mundial quando os brasileiros também forem a "sexta população mais rica do planeta". "Para nós, para os que pensam como nós, o Brasil só chegará a ser a sexta potência do mundo se a sua população for também em matéria de acesso a riqueza e aos bens  a sexta população mais rica do planeta", disse. A presidente afirmou ainda que o mundo mudou o olhar sobre o Brasil e que os brasileiros são, hoje em dia, mais "orgulhosos". Ela disse ter certeza de que o país contribuiu para inserir na agenda internacional temas como combate a fome e desigualdade social.

        Contudo, é importante que o Brasil tenha o sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo, mas ponderou que o país "jamais será realmente rico se não pudermos todos participar e desfrutar das benesses do nosso desenvolvimento". "Hoje nós, brasileiras e brasileiros, olhamos para nós mesmos com outros olhos. Olhos mais orgulhosos. O mundo também nos olha com muito mais respeito e admiração", declarou.

        Uma vez dito cabe a nós verificarmos as possibilidades de tal ação , e refletirmos o quanto isso afetaria a sociedade brasileira , vendo que a desigualdade social existe e continua independente de grandes transformações e que o cenário mundial tem uma nova visão do Brasil. deixe seu comentário a respeito disso ! 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Novas configurações da economia global

Atento às novas configurações da economia global abaixo encontramos um artigo escrito pelo economista Dércio Garcia Munhoz para a revista Desafios do desesnvolvimento do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em que ele analisa a nova crise global e os problemas enfretados pelos países europeus. BOA LEITURA !


A Europa se endividou para salvar os bancos Imprimir

As economias europeias passaram, nas últimas décadas e desde a criação do Mercado Comum Europeu, com o Tratado de Roma de 1961, por diferentes momentos e diferentes experiências, indo do mais fundo das preocupações a auges de euforia. O pessimismo surgiu, por exemplo, quando da crise do dólar de 1971-73, que esfacelou o sistema de paridades cambiais fixas de Bretton Woods, ou com a crise financeira de 1992, logo após o lançamento da futura União Monetária. E as esperanças se renovaram por ocasião do Ato Único Europeu de 1986, que alargavam as bases da integração europeia, ou quando, com o Tratado de Maastricht de 1991, surgia a União Europeia, incorporando uma visão política mais profunda e abrindo caminho para a moeda única.

Agora novamente a Europa, depois de se alargar na direção das fronteiras da Rússia e de festejar talvez precocemente um boom imobiliário, reencontra um campo de incertezas, mal completada a primeira década da nova União Econômica e Monetária, que deu vida ao Banco Central Europeu e ao esperado Euro.

As agruras que afligem a União Europeia não são conjunturais ou episódicas. Diferentemente, existem questões estruturais, amenizadas em períodos de prosperidade, mas que vêm se agravando desde que a crise do subprime se alastrou na economia mundial, ficando a salvo talvez apenas a notável máquina chinesa.

Na análise das dificuldades que paralisam as economias europeias – e com maior rigor os países da Zona do Euro – percebe-se que no centro do furacão estão justamente economias endividadas, como todas, e também as mais frágeis – Grécia, Itália, Portugal e Espanha, as chamadas PIGS. Todas, à exceção da Espanha, com a dívida do setor público superando 100,0% do PIB, em 2010.

Os problemas que põem em risco a sobrevivência do Euro têm como origem, no caso dos PIGS, paradoxalmente, a própria moeda única. Ela surgiu como instrumento para reforçar a integração econômica e ampliar o seu aspecto político.

A questão fundamental é que um sistema de moeda única representa, de fato, o mesmo que um sistema de paridades cambiais fixas – rigidamente fixas, no caso. E taxas fixas só podem subsistir com: (a) inflação zero em todas as economias da área, ou (b) taxas de inflação iguais nos diferentes países. Pois qualquer situação diferente tem o sentido de uma valorização (ou desvalorização) da moeda do país – ou dos países – onde os preços tenham crescido mais. Não há possibilidade – num sistema de moeda única – de compensação dos diferenciais de preços através do realinhamento do câmbio, como normalmente se procuraria fazer.

Seria cínico, por outro lado – e mesmo fantasioso – dizer, como o fazem agora os países ricos da Europa, o Banco Central Europeu (BCB) e os ávidos banqueiros, em relação aos parceiros PIGS, que o problema se resolve simplesmente levando-se o país à recessão – com mais juros, mais impostos, menos gastos públicos, no melhor estilo dos clássicos enlatados do FMI. Assim, com maior desemprego, recuariam os salários e os preços internos, invertendo-se a posição de moeda valorizada, mesmo negando todos os postulados da União Europeia.

A realidade é que há diferenças crescentes nas taxas de inflação dentro da Zona do Euro, em desfavor das economias de menor porte. Em relação a 1998 – base de comparação pós-Euro – e até 2010, os preços (Deflator Implícito do Produto) cresceram 10,9% na Alemanha e 22% na França, os carros-chefe da União Europeia. Os percentuais foram bem mais elevados nos países que enfrentam dificuldades no financiamento da dívida pública: 31,5% na Itália, 35,6% em Portugal, 42,4% na Grécia e 45,9% na Espanha. O que, de fato, tem o mesmo sentido de uma valorização implícita de suas moedas frente aos demais parceiros da zona, e ainda mais intensa em relação a moedas que ao longo do tempo se desvalorizavam frente ao Euro, como o caso do Dólar americano.

Não surpreende, portanto, que aqueles países com preços mais instáveis venham acumulando elevados déficits externos, especialmente no caso de Grécia e Portugal, nos quais o somatório de saldos negativos em Contas Correntes no triênio 2008-2010 foi equivalente a algo como um terço do PIB (BIRD, www.databank.worldbank). E pior é que, descartando a hipótese mais plausível de que a maior inflação decorre de questões estruturais, as economias mais fracas ficam sob pressão continua de restrições ditadas pelo Banco Central Europeu, que travam os países sob o pressuposto de que são excessos de gastos governamentais que provocam desequilíbrios e comprometem as metas de inflação fixadas para a Zona do Euro.

É a maldição da Síndrome do Euro – um regime cambial arcaico que se supunha varrido, antes pelo esquema de Bretton Woods, e posteriormente, a partir de 1979, pelos sábios critérios de paridades reajustáveis do Sistema Monetário Europeu.

O NOVO TSUNAMI QUE PÕE EM RISCO A ECONOMIA EUROPEIA Os problemas mais recentes, ligados aos riscos de inadimplência dos PIGS – que já chamusca as finanças da Grécia, estão mais para uma ópera-bufa. Os governos de praticamente toda a OCDE aumentaram a dívida pública num total próximo de US$ 10 trilhões apenas no triênio 2008-2010, porque tiveram de lançar fortunas em suporte os seus bancos, evitando um caótico efeito dominó. As economias mais fracas da zona do Euro, agora no cadafalso – e que vinham reduzindo o peso relativo da dívida pública ano a ano – fizeram o mesmo, abandonando o caminho do controle das finanças para salvar os bancos. Nada diferente da ação dos governos dos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, França ou Alemanha. Todos se complicando porque a crise econômica fez recuar o PIB. Sofrem ainda, no caso dos PIGS, com a alta dos juros, provocando, com o duplo efeito, deterioração dos indicadores Divida/PIB no pós-2008.

A estratégia atual escolhida pelos líderes da União Europeia é perigosa. Além de não contribuir para a superação do impasse, enfraquecem ainda mais as economias fracas, empurrando-as para a moratória. Como fizeram FMI, bancos e governo americano em relação ao Brasil e outros devedores nos anos 1980.

A solução, e ainda é tempo, é reduzir parte da dívida. Os bancos terão de assumir perdas, trabalhar com taxas de juros fixas civilizadas e alongar os prazos para o pagamento do remanescente das dívidas. Estas estão representadas por títulos comprados ou garantidos pelo BCB e os Fundos de Financiamento em gestação. O resto é ilusão. Inclusive quanto à possibilidade de se manter sob o falso guarda-chuva do Euro países que a moeda única agride e inviabiliza como exportadores e produtores para o próprio mercado.
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Dércio Garcia Munhoz, economista, professor titular do Departamento de Economia da UnB até 1996. Ex-presidente do Conselho Federal de Economia e do Conselho Nacional da Previdência Social. É membro do Conselho Orientador do Ipea.
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sexta-feira, 4 de maio de 2012